terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Artigo | “O agente secreto”: um espelho onde encontrar boa parte da nossa história
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sexta-feira, 16 de maio de 2025
“Adolescência” e a des (construção) da identidade
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quarta-feira, 3 de julho de 2024
Dicionário biográfico reúne histórias de 100 mulheres afrodiaspóricas que ajudaram a construir o Brasil
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terça-feira, 30 de abril de 2024
Humanidade Baixa
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Sororidade
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sexta-feira, 14 de julho de 2023
Ressonância...
Sábado, 10h40. Pontualmente estava na clínica como agendado. Formulário com um pequeno texto explicativo sobre o que consiste o exame, seguido de um questionário que buscava saber mais sobre minha condição física. Cirurgias, uso ou não de próteses. Objetos que sofram efeitos do campo magnético. Coisas que ajudam a tencionar mais o que eu iria viver durante os mais de 60 minutos naquela sala branca, com teto cheinho de luzes, como se fosse um céu estrelado, de fundo branco, dentro daquele tubo que nos remete aos filmes de ficção científica.
Concluída a fase de coleta de dados, preenchimento de formulário e questionário, emissão de guias, uma jovem com uniforme verde, me chama pelo nome, entrega um pacote com uma camisola para eu me trocar, pede pra eu tirar tudo o que era metal, e depois, mais algumas perguntas. A ressonância daquela manhã não era a minha primeira, e sim, este era o principal motivo de eu estar ansiosa. O fato de ficar deitada com o corpo dentro de um tubo, com um espaço de menos de 20 centímetros entre o nariz e a parte superior da cápsula, sem condições de se mexer, submetida a sons num período de mais ou menos uma hora, não é confortável. É assustador, causa pânico.
Bem, sabendo de tudo isto e compartilhando experiências com outras pessoas, o que me restou foi controlar a minha ansiedade, tentando manter o cérebro focado em outras coisas que não fosse desejar apertar a campainha, que os técnicos colocam em uma das mãos, para acioná-la em caso de necessidade. Já aconteceu de no primeiro minuto, em uma das ressonâncias, eu apertar, pedir para sair e não voltar para dar continuidade ao exame. Não queria passar por isto novamente, até porque interromper o exame significaria ter que enfrentar todo o processo novamente, que não é simples, nem fácil!
Começou. Os técnicos por microfone reforçam a necessidade de me manter imóvel, sem mexer. Seriam três exames, iniciariam por um, cujo objetivo era investigar possível esclerose. Havia explicado que em um determinado momento eu deveria colocar na boca em tempos diferentes, uma seringa pequena, outra média e outra grande, segurando-as com a boca, sem movimentar língua, sem engolir saliva, enfim...aff! E dai-lhe barulho. Era uma playlist completa. De fundo e antes mesmo do início dos exames, a máquina já emitia um barulho, que mais parecia um som feito por DJ em festa trance. Tistum, tistum, tistum, num compasso simples, que permaneceria como Back Ground ou BG o tempo todo de duração dos exames. Depois foi introduzido um outro som, com outra batida, um martelo? Sim, o barulho era de som de um martelo metalizado. Uma, duas, três...sessenta vezes. Parou! Quantos minutos havia se passado? Dez, quinze? Quando dariam o comando para o momento das seringas? De repente, a voz do técnico: - D. Geralda? Tudo bem? A senhora está se movimentando? Engulindo? Eu disse que sim, estava engolindo saliva, secreções...E o técnico: - não pode D. Geralda, Teremos que começar tudo de novo! Fiquei sem acreditar... Jesus, será que vou conseguir concluir? Começar de novo?
Tudo bem. Vamos lá, eu vou conseguir. Vou tentar me ocupar dos barulhos. Quantas vezes cada som era repetido? O que significava cada tipo de som ali? O que eles mediam? Que imagem meu cérebro ia formando diante dos diferentes sons? E o volume? Sim, era num volume alto, digno de um show de rock. Era isso! Aqueles sons podem perfeitamente servir para compor um arranjo de rock. As imagens certamente dignas de um cenário psicodélico, que o digam os profissionais das projeções nos shows. O momento das seringas chegou, felizmente! Sinal de que estava dando tudo certo. Primeiro exame encerrado. Mais barulhos – sons, intercalados de pequenos intervalos de silêncio. Minha sina naquela maca ainda não tinha chegado ao fim. Bora contar a sequência de batidas. Um, dois... trinta, barulho ensurdecedor, cinqüenta, será? Esqueci...melhor pensar na história que me propus a criar para o Rafinha. O menino dos olhos azuis, da terra dos tubarões. Ok, mas não me vinha inspiração. Quanto tempo será que falta? Rayi Kena deve estar no final do vôo para Salvador. O barulho agora era diferente. O tempo está mais compassado, será que este som é a última etapa do exame? Trinta, trinta e um, cinqüenta, cinqüenta e nove, sessenta, sessenta e um... eu que o tempo todo mantive os olhos fechados, resolvi abri-los. Pela primeira vez consegui visualizar o tubo e a grade por cima da minha cabeça, sem sentir pânico. Quanto tempo será que ainda falta? Sessenta e quatro... de repente, silêncio. Um vácuo. Será que ainda tem mais alguma coisa? D. Geralda, tudo bem? Terminamos viu? Correu tudo bem. Gente, que sensação estranha... Acabou? Eu posso sair?
A jovem de uniforme verde entra na sala, aperta o botão da máquina que movimenta, me trazendo para fora do tubo. Ela me ajuda a sentar. Peço para esperar eu me recompor antes de me levantar, já que o movimento de levantar a cabeça, me causa tonturas. Levanto, olho para minha irmã que se manteve o tempo todo na sala, sentada, me acompanhando - o tempo foi tão longo, que ela estava ansiosa para sair dali e procurar um banheiro para fazer xixi. A sensação de alívio era tão grande, que me invadiu uma alegria e uma despreocupação com o momento seguinte, que há muito eu não tinha. Já sei o que fazer, quero bater perna e tomar uma cerveja!
Ressoa a vida, ressoa...
Imagens: RD Xavier(Internet)
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Distopia na administração de Goiânia
Geralda Cunha – É
mestra em Educação pela UFG. Assessora de Comunicação e Ativista pelos Direitos
Humanos
Goiânia sofre com o fenômeno da distopia que acometeu o
nosso país nos últimos tempos. A distopia é um pensamento filosófico caracterizada
por uma sociedade imaginária controlada pelo Estado ou por outros meios
extremos de opressão, criando condições de vida insuportáveis aos indivíduos, o
termo surge como o oposto de utopia. Na literatura e no cinema são muitos os exemplos de sociedades
distópicas. Quem não se lembra do livro e filme do mesmo nome 1984? Matrix, Mad
Max e o brasileiro Bacurau, entre outros? O goiano José J. Veiga abordou o tema
no livro A hora dos Ruminantes, de 1967.
A administração da nossa capital tem sido um
bom exemplo de administração distópica A população tem sofrido com esta polêmica
e confusa gestão. Quando o assunto é Educação, a Educação Infantil (uma das etapas prevista na LDB
9394/96 e considerada fundamental na formação do indivíduo), vem sendo negligenciada ao longo dos anos nas
administrações municipais da nossa capital. Ano após ano as demandas não são todas
atendidas e crianças, que deveriam estar nos Centros Municipais de Educação
Infantil – Cmeis estão fora deles, enquanto mães e pais precisam recorrer ao
Ministério Público para terem acesso às vagas que lhes são de direito! Não
existe um planejamento para suprir esta demanda e dar dignidade às crianças e
suas famílias. Eis que o gestor tira da cartola a brilhante ideia e vai defendê-la
no plenário da Câmara Municipal de Goiânia: fechar 50 bibliotecas e salas de
leitura, sob a alegação de que os livros causam sinusite! É inacreditável tal
argumento! Desconhecimento? Ignorância? Ou má intenção?
Parece atuam
baseados naquela velha máxima: “a gente propõe, se colar, colou!” Um verdadeiro acinte a nossa inteligência. Agem
com dolo, gerindo mal o dinheiro público, na certeza de que vão aceitar “descobrir um santo, para cobrir outro”, como
se não houvesse leis que exigem que as escolas cumpram requisitos básicos para o
funcionamento e um deles é a existência de bibliotecas para que as crianças,
alunas e alunos tenham acesso aos recursos da leitura, do conhecimento! Também
estão previstos que as escolas façam limpezas rotineiras nas caixas d’águas,
que tenham estrutura adequada para cadeirantes, proteção nas escadas, rampas,
espaços de convivência, salas adequadas ao número de crianças e alunos, de tal
forma que é fácil deduzir que esteja previsto profissionis da limpeza que
proporcionem ambientes limpos e arejados, impedindo todo o tipo de sujeira que
possam causar doenças como a referida pelo gestor!
Felizmente
as autoridades competentes impediram a tentativa de fechamento das bibliotecas
de forma irresponsável e autoritária. Infelizmente estamos sendo atropelados
por uma onda de gestores que chegaram ao poder e desconhecem como funciona a
administração pública. Impõem medidas e quando não conseguem o intento, usam
das prerrogativas para “convencer” parlamentares a compactuar com ações que não
atendem ao bem comum, pelo contrário, deixam uma camada de fumaça no ar, na
tentativa de enganar o povo, não prestando contas, sem transparência,
invertendo a lógica de um governo democrático, sendo um governo de e para privilegiados!
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quinta-feira, 13 de julho de 2023
Dia mundial do Rock e os dez anos dos Boogarins - Por Geralda Cunha
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2022
Cancelamento nas redes sociais - jornal O Popular - 03/01/2022
Cancelamento nas Redes
Sociais
Geralda Cunha
Comunicadora Social, Educadora,
Policial Aposentada, Ativista na defesa dos Direitos Humanos
A dinâmica da
convivência pelas redes sociais nos apresentou um significado mais agressivo
para a palavra cancelamento. O que antes era um termo técnico para algo que
remetia a falhas burocráticas, hoje tem vários significados.
A “convivência” virtual
expôs um lado das pessoas que não conhecíamos, ainda que existisse e não é de
hoje. Cancela-se por qualquer coisa: de acordo com a comunicóloga e
pesquisadora em comportamento Clara Fagundes, as pessoas têm prazer em julgar
outras pessoas, em participar da ruína de outras pessoas, se elas forem
“vilãs”!
Recentemente entrou em
cartaz pela Netflix o filme “Não olhe pra cima”, com Leonardo Di Caprio, Meryl
Streep e Jennifer Lawrence, a comédia/catástrofe, é uma alegoria ao método de
fazer política segundo Steve Bennon, baseado na estética das aparências e na
potencialização da manipulação pelas redes sociais.
Não por acaso o
marqueteiro foi preso pelo FBI por fraudes e lavagem de dinheiro. Creio que a
fraude e o alinhamento do Estado com o capital financeiro são as principais metáforas do filme, que mostra as verdadeiras
faces de políticos importantes mundo
afora! Estão preocupados em “parecer ser”, no espaço das redes sociais. Essas
se tornaram as “ágoras” no mundo virtual. Nela se, vive se posiciona, se
acredita e se “cancela” de acordo com os interesses econômicos, políticos e
ideológicos.
No filme negligenciaram
(cancelaram) o fato real da colisão do meteoro com a terra. Aqui no nosso
quintal (Brasil) cancelaram e cancelam tudo o que não esteja de acordo com o
pensamento negacionista de um pretenso governo: crise sanitária, desmatamentos, desempregos,
inflação, preços em alta, vacina, enchentes, mortes! Investem e apostam em um
Brasil irreal, construído e fomentado por algoritmos, robôs e uma minoria
raivosa! Apostam no quanto pior, melhor! Apostam na eficiência das fakenews. Assim
como no filme, o que menos importa é a veracidade dos fatos, as fontes das
notícias e muito menos nas conseqüências que as falsas notícias provocam na
vida das pessoas. Promovem o CAOS.
Em 2022, ano eleitoral
carregado de expectativas e incertezas, inspiremos-nos em Paulo Freire e no
livro Educação como Prática da Liberdade (1967), que continua extremamente
atual: a partir da definição do que é transitividade crítica - que se
caracteriza pela profundidade na interpretação dos problemas - ele nos ensina a
substituir explicações mágicas por princípios causais, a despir-nos ao máximo
de preconceitos na análise dos problemas. A nos basear na prática do diálogo e
não da polêmica. A ser receptivo ao novo, não apenas porque novo e pela
não-recusa ao velho, só porque velho, mas pela aceitação de ambos, enquanto
válidos. E nos provoca a entender que assumir a transitividade crítica, implica
num retorno à matriz verdadeira da democracia. Neste universo, não cabe
cancelamento!
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2021
Polícia para quem?
A polícia brasileira do século XXI é considerada a mais violenta do mundo (Le Monde de 18 de junho de 2020), não conseguiu superar o ranço da ditadura militar e muito menos da cultura escravocrata. Persegue e criminaliza Preto, Pobre e Prostituta. Mesmo com as tentativas de modernização e mudança de cultura, a polícia truculenta persiste. Denúncias por todo o Brasil dão conta do que vivemos: execuções sumárias de jovens da periferia, mortes por “confronto”, ainda que as cenas dos crimes apontem para execução; jovem sendo algemado e conduzido, preso em garupa de moto! Em 2019 a polícia brasileira matou seis mil pessoas, cinco vezes mais que os EUA. Tais atitudes são endossadas por muitos cidadãos de bem, que pregam que “bandido bom é bandido morto”.
Nesta lógica de polícia, a população pobre, preta e periférica sempre estará em “atitude suspeita”. Denunciar, debater e enfrentar a polícia violenta é o caminho. A Defensoria Pública de São Paulo elaborou uma cartilha em que orienta os cidadãos a registrar a ação de policiais, como forma de fiscalizar e prevenir violações de direitos humanos. Outra medida adotada pelo governo de São Paulo foi a instalação de câmeras de vídeo e gravação nos fardamentos dos policiais, o que resultou na diminuição das mortes por intervenção policial em 54%, durante os meses de maio e junho deste ano. São medidas necessárias, em que pese saber que a superação do modelo de polícia vigente passa pela superação das desigualdades e das injustiças sociais.
Publicado no jornal O Popular de 10.12.2021
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quinta-feira, 25 de novembro de 2021
Violência contra a mulher, até quando?
O dia 25 de novembro marca os 61 anos do assassinato das irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), dominicanas que ficaram conhecidas como Las Mariposas. Em 1999 as Nações Unidas instituiu a data – proposta por feministas - como o dia internacional pela eliminação da violência contra as mulheres, homenageando as irmãs Mirabal.
Os números nos dão conta que a violência contra as mulheres é um problema presente não só nos países empobrecidos, ou de cultura islâmica, onde o machismo prevalece e os direitos das mulheres são quase inexistentes. Na semana passada a jornalista brasileira Denise Rodrigues radicada em Paris, publicou nas redes sociais da ONG - Mulheres na Comunicação, imagens de uma passeata nas ruas de Paris, na tarde fria de sábado (20), com a participação de mais de 50 mil pessoas, manifestando-se contra as violências sexuais e sexistas. De acordo com Rodrigues, mulheres, homens e crianças, apesar do frio e da pandemia foram para as ruas exigir do Estado, políticas públicas que coíbam tais violências que hoje vitimizam em torno de 220 mil francesas, deste total, 94 mil vítimas de estupro e 101 assassinadas por seus companheiros.
No Brasil a situação das mulheres é alarmante. Levantamento feito pelo Datafolha divulgado em junho deste ano, encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 17 milhões de mulheres sofreram violência física, psicológica ou sexual no último ano. A pandemia deixou as mulheres mais vulneráveis, elas tiveram mais dificuldades de denunciar as violências, já que o agressor passou a ficar mais tempo em casa. Outro dado trágico, nos dois primeiros meses da pandemia houve um aumento do feminicídio, o assassinato de mulheres, pelo fato de serem mulheres.
Aqui, na França, nos países islâmicos ou latinos, qualquer lugar que seja deste planeta, a eliminação da violência contra as mulheres requer um trabalho efetivo de todos os segmentos sociais e fundamentalmente do Estado. Para além dos tratados internacionais como a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher e a Convenção de Belém do Pará, é preciso enfrentar o problema local com a seriedade que ele exige.
A lei Maria da Penha prevê inúmeras ações simultâneas e interligadas, como as delegacias especializadas, casas abrigos, centros de atendimentos com equipe de multiprofissionais, o tratamento a vítima e ao agressor, a qualificação de profissionais, entre outras, porém os 15 anos de sua implementação, não foram suficientes para sua total efetivação. Seguimos presenciando a ausência dos mecanismos previstos em lei e a naturalização da violência entre aqueles e aquelas que deveriam ser o porto seguro das mulheres em situação de vulnerabilidade.
A propósito, como está a construção da Casa da Mulher Brasileira lançada pelo governo federal, em Goiânia em julho de 2020?
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segunda-feira, 20 de abril de 2020
Mídia Alternativa – o quinto poder
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Direitos Humanos existem?
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Masculinidade Tóxica
O tempo tem sido testemunha de grandes mudanças no comportamento humano, impulsionados pelas exigências de um novo modo de viver, que passa pela condução da vida para o sucesso na perspectiva do TER, inversamente proporcional ao SER. As pessoas encontram-se diante de grandes desafios. Como avançar na convivência/relacionamento humano, sem reconhecer suas raízes, superar o que não os faz melhor, para tornarem-se melhores? A masculinidade tóxica é um comportamento atual, resquício da sociedade patriarcal, potencializada na nossa sociedade e que têm contribuído no aumento da violência, sobretudo da violência contra a mulher.
Professor na Universidade de Córdoba - Espanha, Octávio Salazar, é autor do livro "El hombre que no deberíamos ser", afirma que há uma construção simbólica do que é ser homem, que precisa mudar, quando se pensa uma sociedade mais justa. Ele cita alguns exemplos que estão presentes na nossa sociedade e que atrapalham a busca da sociedade igualitária: meninos não choram – não podem ser sensíveis. Meninos engolem o choro e não demostram frustrações; meninos precisam brigar - uma cultura que enfatiza a agressividade como uma característica masculina. O diálogo nunca é apresentado como forma de resolver os conflitos; coisas de meninos – condutas que reafirmam padrões equivocados da nossa cultura, de forma que meninos que demonstram interesses em brincadeiras diferentes dos modelos dominantes, passam a ser oprimidos, discriminados; bicha, mariquinha, fresco - são termos comuns ditos nas famílias, quando veem meninos que demonstram preferências em brincadeiras diferentes do que culturalmente foi associado ao universo masculino, reforçando o discurso homofóbico e a convicção patriarcal de que há uma única forma de ser homem; o homem é uma máquina sexual - modelo de homem que para ser considerado macho, precisa ter várias parceiras sexuais e que naturalmente tem comportamento abusivo em relação às mulheres; homem responsável /homem molenga - os homens não podem exercer suas responsabilidades como parceiros, pais, sob pena de serem considerados fracos e comandados pelas mulheres; e por fim ideia de que o homem é um ser bruto, de características animalescas e que portanto, não pode ser sensível, culto e de boa educação, como recentemente em vídeo, um certo pastor, insinuou ao falar das características que um homem deve ter para ser o “cabeça” do lar.
A masculinidade tóxica é inversamente proporcional ao modelo de homem em uma sociedade igualitária. O tema vem sendo pautado, inclusive por homens em busca de respostas para suas angústias na vida contemporânea. Debater o assunto é contribuir na superação da violência doméstica e na construção de uma sociedade de iguais!
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Juventude Sacrificada
A violência que mata, tem um perfil de vítimas: na maioria negros, de origem pobre, que sonham ficarem ricos, tirar a família da pobreza e serem reconhecidos, assim como seus ídolos! A gente sabe que este é um sonho de milhares de jovens. Muitos inclusive, usados por pessoas que se autointitulam empresários e que enriquecem como este tipo de negócio. Quantas famílias não se sacrificam, para financiar o sonho dos filhos e os seus?
Vivemos tempos difíceis! Durante os últimos 30 anos testemunhamos avanços e conquistas sociais baseadas em leis que pensavam a educação de crianças e jovens; a inclusão da população negra empobrecida! Presenciamos movimentos, organizações não governamentais reivindicando junto aos governos a garantia de tais direitos, mudando a história e o destino de milhares de jovens.
Ainda que os avanços existissem, era claro que havia muito por fazer! A mudança de paradigmas, da meritocracia, para o direito de todos; do Brasil no mapa da violência, para a diminuição das desigualdades, estava longe de ser alcançada.
Com os últimos acontecimentos sociais e políticos em nosso país, eis que o dito popular “nada é tão ruim, que não possa piorar”, tem ganhado formas de filme de terror. Medidas governamentais que congelam investimentos em áreas estruturantes como Educação, outras que autorizam policiais atirarem para matar, possibilitando execuções dos que estão em condições de vulnerabilidade; extinção de ministérios e secretarias e a nomeação de pessoas sem perfis técnicos para áreas estratégicas, nos deixam apreensivos e desesperançados!
Se nada for feito em favor das vidas de nossas crianças e jovens que vivem à margem da sociedade, em pouco tempo teremos um exército de jovens enclausurados em um sistema penitenciário falido e outro tanto mortos em “confrontos” ou tragédias anunciadas. Diante disso, não é preciso fazer exercício de futurologia: a realidade já aponta para um país envelhecido que sacrifica sua juventude em nome de falsas políticas desenvolvimentistas!
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