domingo, 13 de novembro de 2016

Ano de 2005: Secretaria da Segurança Pública e Assessoria de Comunicação


É muito comum ouvirmos dizer que notícias boas não vendem jornais, não dá ibope e não são manchetes. Bem, mas há controvérsias! E uma delas se refere à visibilidade alcançada pela Secretaria da Segurança Pública e Justiça de Goiás através de suas ações e planos de trabalho no ano de 2005. 

Primeira parada: algumas premissas que em Assessoria de Comunicação não são só importantes, são acima de tudo, necessárias! Nos dias de hoje não há como desenvolver um bom trabalho de assessoria se não houver credibilidade e transparência no órgão assessorado. Neste aspecto as ações saneadoras no sentido de moralizar os órgãos de Segurança Pública em Goiás, foram fundamentais para que a instituição resgatasse a credibilidade junto a Sociedade. Outro item importante foi a escolha dos auxiliares diretos da pasta. O perfil escolhido baseava-se em pessoas de valores morais sólidos, que primam pela transparência, a coerência e a ética na condução do trabalho. Isso é condição básica, pois as figuras que ocupam os cargos de chefia, não só devem falar o como fazer, mas constituem-SE no próprio exemplo. 

A SSPJ caracteriza por ser um órgão de grande porte, que tem sob o seu comando direto 12 órgãos, seis conselhos e mais dois outros órgãos sob a sua jurisdição. Gerenciar tantos órgãos que mesmo ligados às áreas de Segurança Pública e Direitos Humanos são distintos, na perspectiva de integrá-los não é tarefa das mais fáceis! Como alcançar a visibilidade desejada? Como possibilitar que as ações de todos os órgãos sejam conhecidas pela Sociedade? 

Outra parada. É bom dizer que o tempo em que trabalhar em Assessoria de Comunicação, significava ter um “bico”, ficou para trás, hoje não se admite mais a figura ausente do assessor, que quando é requisitado, age como o “Salvador da Pátria”: aquele que conhece todo mundo nas redações de jornais e que segura todas as notícias negativas, que é capaz de maquiar informações do órgão assessorado, que é capaz de conseguir grandes manchetes sob algum fato sem relevância. 

Também não tem como falar em visibilidade se as informações dadas não refletirem ações concretas. A concepção que se baseia no trabalho de marketing com maquiagem de números, dados e figuras ilustres suplantando a realidade e as idéias, segundo Noam Chomsky, lingüista norte-americano, tem seus dias contados.

 Fazer Assessoria de Comunicação é 99% transpiração e 1% inspiração, não dá para trabalhar no improviso. Ela deve se basear no conhecimento e na criatividade, mas acima de tudo deve refletir o que de fato é o órgão assessorado. Outro fundamento imprescindível como afirma Maristela Marfei, em seu livro Assessoria de Imprensa: como se relacionar com a mídia: não se faz assessoria isolada do conjunto de práticas de relacionamento com os vários públicos da organização. Significa dizer que se o trabalho da Assessoria de Comunicação consiste em integrar os órgãos, departamentos entre si e  dar visibilidade para ações executadas por cada um deles.

Entre as várias ações implementadas pela Assessoria de Comunicação da SSPJ este ano, destacamos o trabalho realizado em parceria com a Assessoria de Informática e Telecomunicações com a formatação do novo site. O objetivo era deixá-lo mais funcional, um site de notícias e serviços. Criamos o link “Central de Notícias” com a finalidade de centralizar as notícias de todos os órgãos da SSPJ, atualizando-as diariamente, além de democratizarmos o clipping (os recortes) que antes era acessível apenas para algumas chefias, criando o clipping on line. Essas medidas não representaria nada se os órgãos da SSPJ não tivessem ações efetivas para mostrar, o que é praticamente impossível! Conhecedores do trabalho realizado pelos órgãos, sabíamos que o link representaria uma grande fonte para a imprensa goiana e não estávamos errados. Assim como o site Goiás Agora, da Agecom, em menos de um ano de implantação o link “Central de Notícias” da SSPJ é acessado diariamente pela grande imprensa em busca de notícias da área de Segurança Pública, o que nos obriga trabalhar diariamente trazendo informações novas e atraentes que tem uma grande chance de serem pautadas e virarem notícia nos meios de comunicação.

Desta forma mais que um trabalho de divulgação, o trabalho realizado pela Assessoria de Comunicação da SSPJ utiliza da oportunidade para fazer um trabalho de marketing através da mídia espontânea, reforçando a imagem positiva da SSPJ e dos órgãos subordinados a ela.

Para não nos atermos ao discurso, que pode parecer falacioso, sistematizamos os números que falam mais do que as palavras. De janeiro a dezembro alimentamos o site com 631 notícias (isso não representa a totalidade de notícias de todos os órgãos, pois alguns ainda não estão integrados ao nosso link - Central de Notícias). Fizemos um levantamento das notícias veiculadas pelos dois maiores jornais de circulação diária em Goiânia e o resultado foi o seguinte: a SSPJ teve presente em 2.100 notícias, deste total 58,25% foram notícias positivas. Um resultado significativo, em se tratando de mídia espontânea e que faz cair por terra, mitos do tipo,  imprensa não gosta de receber muita informação de um mesmo órgão, sob pena deste órgão cair em descrédito por noticiar qualquer coisa. Na verdade o segredo está exatamente neste ponto: cabe a Assessoria de Comunicação reconhecer o que é uma notícia e fazer com que ela se torne uma grande matéria. Aí reside toda a criatividade e competência da Assessoria de Comunicação.

Em linhas gerais a avaliação que fazemos do trabalho desenvolvido pela Assessoria de Comunicação da SSPJ foi positivo, mas algumas ações de mídia fizeram toda a diferença e vale a pena registra-las: 1°)  o lançamento do projeto-piloto de policiamento comunitário, que incluiu além da divulgação,  a criação de folders, cartilhas, vídeos, cds e cursos para multiplicadores, ou seja, uma ação integrada com as demais gerências que culminou com o 1° lugar no concurso a nível nacional da Motorola e Senasp e 2°) o sucesso dos dois leilões veículos realizados de forma inédita pela SSPJ, que superaram as  estimativas iniciais de arrecadação em mais de 50%. 

O 2° leilão, por exemplo, que terminou no último dia 22 e foi considerado um dos maiores do país, com mais de 3800 veículos, teve todo um trabalho de planejamento para que fosse bem sucedido. Havia uma preocupação em relação a seu sucesso, já que a maioria dos veículos tinha mais de 20 anos, servindo somente para sucatas  e estavam espalhados em 51 municípios.  Pois bem, um planejamento estratégico envolvendo a Comissão de Licitação do Leilão e Assessoria de Comunicação foi realizado, prevendo a visitação nas cidades com retransmissoras de televisão e rádios, entrevistas coletivas para abertura da visitação e abertura do leilão. Também ficou acertado que o presidente da comissão seria o porta-voz da SSPJ para as informações a respeito do leilão, façamos aqui um parêntese, o presidente preparou-se com todas as informações necessárias e além disso, demonstrou firmeza nas várias situações decorrentes dos processos de carros que seriam leiloados, isto não só transmitiu segurança, como demonstrou a transparência de todo o processo que envolveu o leilão. O secretário também esteve presente nas entrevistas chaves, além disso, a Comissão juntamente com a Assessoria de Informática disponibilizou no site da SSPJ as fotos dos veículos que iriam a leilão, fato inédito. Os resultados do trabalho de divulgação foi sistematizado, através das entrevistas concedidas pelo presidente da Comissão de Licitação de Leilões: foram 50 entrevistas para 21 veículos de comunicação e todos os lotes arrematados! O sucesso do leilão vai além dos números e passa pela imagem positiva da SSPJ, que além de usar o dinheiro arrecadado para reforçar sua frota de veículos, ainda solucionou um problema de saúde muito comum nesta época do ano: o fim dos criadouros do mosquito da dengue.

Não há como falar das realizações e ações e consequentemente da visibilidade da SSPJ, sem falar em um quesito  fundamental na relação da Assessoria de Comunicação da SSPJ com a imprensa: o diálogo franco e aberto. Foi-se a época onde o assessor de comunicação omitia informações na perspectiva de poupar a imagem do órgão, hoje ao contrário, ele deve sim ser uma fonte inesgotável de informações, preocupar em certificar se as informações são procedentes antes de passá-las à imprensa e caso de não ter a informação, não deixar de retornar a quem requisitou. O canal de comunicação entre assessoria e imprensa não deve ter ruídos, estes podem ser mais danosos para a imagem do órgão do que a própria má notícia. A propósito, nesta perspectiva a SSPJ tem à frente um gestor que se pauta pela verdade e transparência, mesmo que em alguns momentos se veja em alguma situação constrangedora, isso é muito comum nas suas participações em audiências públicas e fóruns em que participa. O último deles foi no Fórum da Acieg. Em determinada altura do debate, alguns representantes do comércio local reclamou da ineficiência das câmaras que monitoram as principais avenidas comerciais. O líder em questão depois de certificar que os comerciantes estavam certos, assumiu o compromisso de recuperar as câmaras danificadas. Compromisso cumprido, reivindicou da presidência da Acieg uma reunião com os representantes e com a imprensa para que pudesse prestar contas do compromisso assumido e assim aconteceu. Fatos como esses são corriqueiros nesta gestão, e só vem somar pontos positivos da imagem do órgão. 

No balanço que fazemos, 2005 foi um ano de muito trabalho, mas também de muita visibilidade.  2006 certamente nos reserva outros desafios, mas temos a convicção de que estaremos colhendo muito do que foi plantado!


Geralda Ferraz – Gerente de Comunicação da SSPJ  

Direito ao Voto Feminino completa 79 anos no Brasil

Publicado no jornal Diário da Manhã no ano de 2011

Setenta e nove anos se passaram desde que as mulheres conquistaram o direito ao voto. A lei instituída no Código Provisório Eleitoral de 1932, veio com restrições: apenas as mulheres casadas, com autorização de seus maridos, as  viúvas  e as solteiras com renda própria podiam votar.  Em 1934 as restrições foram retiradas do Código Eleitoral, mas o voto continuava sendo obrigatório apenas para os homens. Somente em 1946 a obrigatoriedade do voto foi estendida às mulheres. 

A comemoração desta data, nos dias de hoje, ganhou um significado único. A primeira mulher eleita ao cargo de Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, precisou quebrar vários paradigmas e preconceitos. O primeiro deles, o simples fato de ser mulher e ter sua vida pública e privada desqualificada numa campanha eleitoral de baixo nível; durante a campanha foram muitas as difamações, sobre diversos assuntos. Perderíamos um bom tempo falando sobre cada um deles. Certamente o último preconceito quebrado pela presidenta Dilma, foi o que dizia que mulher não vota em mulher. Na última eleição, as mulheres provaram o contrário. A eleição de Dilma foi a prova que as mulheres não só votaram em uma mulher, como decidiram a eleição presidencial. 

O fato é que, a eleição da presidenta Dilma Rousseff  representou um grande avanço na luta das mulheres pelo direito de participar ativamente da vida e das decisões políticas do país, porém, a representação de mulheres nas instâncias de poder ainda é muito desigual. Estamos longe de um equilíbrio nas esferas políticas, quando o assunto é a participação da mulher na política brasileira. Junto com a conquista do voto feminino, podemos ressaltar  que a lei de cotas,  garantindo a participação mínima de 30% de mulheres nas listas de candidatos dos partidos políticos foram dois mecanismos que deram consistência e visibilidade a luta quase centenária das mulheres, mas não resultou em uma maior participação. Basta analisar o número de parlamentares mulheres no âmbito municipal, estadual e federal. O mesmo se repete nas esferas do Poder Executivo.

Análises deterministas e conservadoras apontam para a falta de vocação das mulheres nas questões políticas, mas desconhecem  as armadilhas que impedem às militantes políticas de terem uma participação efetiva, sem contudo, terem de abrir mão de suas vidas pessoais e profissionais. Enquanto os homens são motivados e recebem apoio para lançarem-se à vida pública, a grande maioria das mulheres que são lideranças comunitárias e sindicais,  travam uma luta diária para se manterem na militância. Chegam a cometer pecado mortal, aquelas  que persistem e conquistam mais espaços. São exigidas e culpabilizadas por estarem ausentes na educação de seus filhos, por terem que se ausentar dos encontros familiares e até mesmo do seu trabalho, quando a militância política exige a sua presença. 


Há 79 anos, em uma sociedade extremamente conservadora e machista, algumas  mulheres ousaram lutar pelo direito ao voto e saíram vitoriosas. É preciso que façamos memória e reiteremos nossas convicções em uma sociedade de cidadãs e cidadãos, com direitos e deveres iguais. É fundamental voltar nossos olhares para trás, para  compreendermos a nossa história através das histórias de mulheres  como,  Julia Barbosa, Bertha Lutz, Leolinda Daltro, Celina Vianna, Nathércia da Cunha Silveira, Antonietta de Barros, Almerinda Gama, Jerônima Mesquita, Maria Luisa Bittencourt, Alzira Teixeira Soriano, Carlota Pereira de Queiroz, Josefina Álvares de Azevedo, Carmen Portinho, Elvira Komel, Amélia Bevilacqua e Isabel de Sousa Matos. Nossa saudação a todas elas!

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

“Feminismo, uma outra palavra para igualdade”

Geralda Ferraz

O movimento feminista continua atual e necessário. Suas bandeiras não são restritas a uma meia dúzia de mulheres, ao contrário, tem um alcance planetário, pois onde há desigualdade entre mulheres e homens, onde há violência de gênero, é preciso que haja pessoas dispostas a lutar pela superação da cultura machista e do sofrimento que as mulheres estão expostas. Malala Yousafza, jovem ganhadora do prêmio Nobel da Paz no ano de 2014, traduziu bem a extensão do termo feminismo: feminismo é uma outra palavra para igualdade, disse ela. Todas as pessoas, mulheres e homens que lutam pela igualdade, pela justiça,  podem se autodefinir feministas.

Queremos igualdade. Somos  mulheres do século XXI, ainda presas às desigualdades, fundamentadas sobretudo, na condição de gênero!  Ao nascer mulher, uma realidade nos é colocada. A desigualdade de direitos. Mesmo gerações de mulheres que nos antecederam tenham lutado para mudar as nossas vidas, nós ainda hoje, convivemos com desigualdades que nos são caras.

As  mulheres nos espaços de poder, a presença das mulheres em instâncias convencionalmente destinadas aos homens, a valorização da mulher no mercado de trabalho com remuneração igual para a realização de atividades iguais exercidas pelo sexo oposto e os altos índices de violência doméstica, são ainda desafios a serem enfrentados por nós  mulheres do século XXI.

Lutar pelos direitos das mulheres não deve ser prerrogativa só das mulheres, mas também dos homens. Importante perceber que mulheres e homens são iguais em direitos e deveres e que os homens podem sim, dividir tarefas, compartilhar momentos de prazer, descanso e que o fato de reconhecerem tais situações, não fará deles inferiores, nem serão menos homens! Por outro lado, as mulheres não devem se sucumbir às condições impostas de repetição do modelo de submissão, patriarcal. É difícil, nem sempre nos damos conta que nossa atitude frente aos  nossos companheiros só reforça o machismo e dificulta a nossa liberdade de pensar, agir e ser. 

Tais desafios não deveriam estar atrelados à luta das mulheres, uma vez que, toda a sociedade perde com as desigualdades impostas a elas. Na relação de poder do homem sobre a mulher , quando há um desequilíbrio de direitos e o homem se sobrepõem  pela força, pelo egoísmo, pelo simples fato de ser homem, podemos perceber o quanto perde a sociedade. São famílias inteiras que sofrem às conseqüências dos abusos e da violência. São filhos que crescem desestruturados e repetem o modelo aprendido desde pequeno, num ciclo vicioso, triste e que só colabora para os números de  pessoas desajustadas em nossa sociedade.

Existe um problema que é mais pernicioso nesta lógica das desigualdades entre mulheres e homens. Na nossa sociedade ainda nos deparamos com mulheres que vivem numa condição de total dependência, a principal delas a econômica, que  torna impossível falar e exigir que exerçam o poder de decisão. Essas são uma grande parcela da população que vive na sombra, enfrentam todo o tipo de violência e não conseguem sair dela, porque os mecanismos estatais não lhes garantem estrutura suficiente para terem esperança de uma vida melhor. A opção que têm é viver sob a tutela de seus agressores, para poderem cuidar de suas crias.

Neste  08 de março, Dia Internacional das Mulheres,  devemos chamar mulheres e homens à uma reflexão simples, de muita profundidade: Não podemos nos fechar a dogmas e preconceitos que não percebam a real condição das mulheres. Precisamos sim, conhecer e saber as raízes dos problemas sociais brasileiros e conhecendo, lutar pela garantia de seus direitos. A superação das desigualdades sociais passa com certeza, pela superação das desigualdades entre mulheres e homens.


Geralda Ferraz – É militante do movimento de Mulheres e Assessora de Comunicação

Mulheres na política

Publicado no jornal O Popular, na edição de 02 de outubro de 2016

domingo, 23 de agosto de 2015

A vida


 Ao longo das nossas vidas nos deparamos com experiências  que nos chocam, nos deprimem e outras que nos surpreendem, nos dão esperança e força para continuar em frente. Costumo dizer que algumas destas experiências na minha juventude foram fundamentais para eu ser quem sou hoje.

Atuar profissionalmente em duas áreas distintas e sobretudo importantes nas vidas das pessoas: segurança pública e  educação. Elas  me deram bagagem para lidar com situações extremas e difíceis do dia a dia. Na primeira aprendi que para lidar com as situações limites em que estava exposta como morte, violência, dor, tristeza, precisava ser FORTE. Como atender as pessoas que buscavam por socorro, se não conseguisse processar todas as situações envolvendo sentimentos, sofrimentos extremos, dor?  Ser forte, porém, sem perder a sensibilidade. Dar importância a dor do outro. Ser forte, para saber como melhor agir em benefício da outra pessoa. Ser forte, não insensível! Com a educação aprendi a acreditar na ESPERANÇA, em ver o poder de superação das crianças e jovens apesar das adversidades. Não foram  e não são poucas as histórias que compartilhamos  em que os pequenos e adolescentes conviveram com a dor da perda, com as dificuldades impostas a si mesmas por doenças, por vezes de difícil cura. Que foram obrigadas a enfrentar,  às limitações impostas por traumas, separações ou mesmo por uma limitação física e neuropsicológica. É angustiante quando percebemos que as dificuldades prevalecem sobre as possibilidades de superação, mas é de uma alegria imensuravelmente  contagiante quando, como que num passe de mágica, vimos o desabrochar de uma nova pessoa, viva, com as cicatrizes visíveis, mas não expostas. Percebermos que a luz sobrepôs, a sombra, que a vida superou a morte, que a esperança prevaleceu sobre os medos.


A contemplação muitas vezes,  nos faz relacionar as paisagens com  as situações que a vida nos expõe, dando significado as histórias vividas. Esta semana me deparei com um, não,  com dois brotos de Amarílis no meu quintal. Fiquei super feliz porque na semana anterior, estes mesmos brotos eram nada. Explico: O tempo seco e o desconhecimento da cuidadora do meu pequeno jardim, fez com que as folhas das Amarílis fossem rasteladas, sem o devido cuidado. Delas nada restaram. Ao perceber a situação, fiquei triste, mas pensando nos bulbos que estavam no solo, reguei assim mesmo, na expectativa que as folhas voltassem a brotar. Eis que para minha surpresa, uma semana depois, visualizei não as folhas, mas dois brotos de flores! Isto mesmo. Estes que estão aí nas fotos. 


Ao ver os brotos de flores me veio a cabeça muitas histórias de superação. É assim a vida: diante de um grande problema, ainda sobre o efeito da perplexidade, a nossa primeira reação é pensar que estamos diante da própria morte, mas depois de um certo tempo, a nossa FÉ na vida fala mais forte e continuamos a cultivá-la,  regando, mesmo que ela esteja por um fio.  A aparência triste do tempo quente e da grama seca não servem para nos tirar a esperança de que a VIDA se renovará. Do seio do solo, da terra, o mistério da vida se dá, se refazendo,  se fortalecendo e eis que ela brota mais viçosa, ainda mais bela!

Observação: Em homenagem a minha  irmã Ivone que agora começa vida nova!


sábado, 22 de agosto de 2015

Atenção! Cuidado com a gameleira

Atenção! Cuidado com a gameleira.

Por Geralda Ferraz

O carro parado no sinal vermelho de um sinaleiro entre a Av. Goiás Norte e a Av. Nerópolis,  nas raras vezes de tranqüilidade do trânsito, eu contemplava a árvore plantada exatamente no meio das vias de mão dupla. A árvore é uma gameleira, daquelas que parece  não conhecer limites, seus galhos vão de uma pista a outra, agraciando os motoristas com uma frondosa sombra.  Sua copa também é bem farta, enche os olhos com tanta beleza e harmonia, seu tronco pode ser abraçado por  umas  cinco pessoas  com braços bem abertos, sem exagero! É um verdadeiro patrimônio,  como tantas outras antigas gameleiras espalhadas pela nossa cidade. Depois da derrubada polêmica das 100 árvores em uma via central da mesma avenida, acredito que a gameleira pode ser o próximo alvo.  Posso estar enganada, mas se a construção da BRT, o corredor de trânsito rápido, está prevista para chegar até o Recanto do Bosque, bairro da região Norte,  as máquinas com certeza vão esbarrar nesta que é um verdadeiro patrimônio da população local. Isso significa que vamos ter mais impasse e ruídos pela frente.
Há situações que são inevitáveis. O problema das vias urbanas e o caos no trânsito é fato! A necessidade da ampliação e reestruturação dos corredores de transporte público é fato! A previsão da ampliação de uma das vias mais importantes de transporte público de Goiânia, a Av. Goiás, também é fato!  Por que então, a polêmica? Os questionamentos?    Os ruídos? O fato é que de um dia para outro, tudo ruiu. O que num dia ilustrava a paisagem com o verde e as sombras das árvores, virou  no dia seguinte,  tronco cortado, copas caídas.   O que antes eram flores, sombra, beleza, verde, resumia-se em uma paisagem desoladora. A imagem é forte, choca, provocando nas pessoas  indignação e por conseguinte uma crise institucional. De um lado a realização de obras necessárias, do outro, as pessoas e o sentimento de que está tudo de mal a pior, e esta é só mais um entre tantos problemas que a cidade vem passando nos últimos tempos.
Difícil esta equação. Realizar e ao mesmo tempo conseguir atender as necessidades de todos, sem transtornos, ou minimizando-os em prol de um bem maior.  Existe um ditado popular que diz:  - o combinado não sai caro. Em que pese na maioria das vezes aplicarmos  tal ditado ao ato de comprar,  também neste imbróglio ele cabe. Quando lidamos com um projeto como do corredor  de ônibus - BRT, que prevê mudanças estruturais em 22 quilômetros  de extensão de Norte a Sul da cidade, faz-se necessário  que   a população tenha conhecimento detalhado do que será feito e como será feito.  Tal medida previne que pequenos ruídos se tornem grandes problemas   em  uma gestão. 
Mesmo vivendo em um mundo com tantos avanços tecnológicos, que usam do planejamento e da precisão em tudo o que fazem, muitas vezes a sensação que temos, é que quando se trata de gestão pública, ainda estamos na idade da pedra e a comunicação institucional não existe. O gestor fica de um lado, falando para si mesmo e do outro fica a população insatisfeita e com a sensação que quando se trata da coisa pública, nada funciona bem e nunca funcionará.  Também na gestão  pública é preciso que haja um planejamento estratégico e que a comunicação não seja colocada como um detalhe sem maior importância. Pior que isto, só o assessor se colocando  como uma entidade, um ser superior, quase Deus, com o poder de barrar toda e qualquer informação que não seja  positiva para a gestão.
É de conhecimento das assessorias de comunicação e também da imprensa que a maior demanda para as grandes pautas vem do Estado/Ente Público.   É preciso, portanto,  que em uma gestão baseada em problemas e desafios do século XXI,  os governantes  preocupem em realizar uma gestão transparente, em que as informações sejam disponibilizadas para a população de maneira fácil, mais que isto, é preciso sair na frente, antecipar, para não ter que apagar fogo, mesmo não sendo bombeiros.
 A jornalista Olga Curado diz que a crise em uma instituição, empresa ou órgão público é um teste de atenção, mesmo sendo vista por muitos como algo que surge inesperadamente.   Espero verdadeiramente que a gameleira majestosa não seja a próxima crise desta obra que certamente ainda tem muitos capítulos pela frente. Espero ainda, que assim como se faz cronograma de trabalho, previsão de execução e entrega dos trechos, que não descuidem da informação. Trate-a com cuidado, como que escrevendo um belo texto, até mesmo um poema que sintetize e traduza tudo o que precisa ser dito, afinal de contas, o público, dito como alvo, é a população pagadora de impostos.
Geralda Ferraz
Radialista
Especialista em Gestão Escola,  Assessoria de Comunicação e Comunicação Pública



terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Invasão ou ocupação urbana

Dias atrás percebi que na varanda de casa, havia uma substância no chão, parecia terra preta, justamente abaixo de uma planta de xaxim. A princípio pensei se tratar de adubo que estava saindo do vaso, com o excesso da água das chuvas que caíram nos últimos dias.  

Eis que hoje ao chegar em casa me deparo com o real motivo: Não mais terra debaixo do xaxim, alguns resíduos ainda nas folhas da planta que pende buscando o chão. Duas terríveis criaturas, voavam de um lado para o outro, sem se preocupar com a presença humana, "eu". O que será que estão procurando? Fiquei pensando. Resolvi observar mais atentamente onde eles se enfiavam e desapareciam e apareciam num relance, alçando voos curtos. 

Tais criaturas, ambos com aproximadamente cinco centímetros de cumprimento, um de penugem mesclada de amarelo e cinza e o outro, de uma plumagem preta na parte superior das asas e do corpo e amarela na parte debaixo, cores de um brilho único, que dá ao seu dono (ou dona) uma beleza ímpar. Indiferentes a minha presença, ocuparam o espaço, procuram agora dar os últimos retoques a nova casa que estão construindo. Sim, casa! Descobri que as pequenas e petulantes aves cavaram um túnel no meu xaxim. Daí o motivo de durante dias ter encontrado o que parecia terra preta no piso da minha varanda. A cada voo, trazem no bico capins, plumas, e promovem um diálogo entre si, que me deixou intrigada e me despertou indignação: - Abusados! Chegam apossam da minha planta, do meu xaxim, na minha casa e ainda se exibindo....nem tomam conhecimento que esse terreno tem dono, donos, melhor dizendo.
Na verdade, lá no meu íntimo, senti um orgulho danado de poder presenciar estas maravilhas da natureza. Com um poder de adaptação incrível, esta espécie, diante das condições que lhes foram impostas por terem perdido os seus habitats naturais, buscaram logo uma forma de se adaptar as novas realidades, proporcionando um espetáculo digno de ser compartilhado.

Quantos ensinamentos, quantas possibilidades criadas a partir de uma decisão de dois seres vivos de assentarem-se em uma minúscula parte do meu imenso latifúndio, promovendo mais uma invasão/ocupação urbana, tão comum nesses tempos de novos arranjos de nossas cidades.

Ok, abro mão da parte ocupada, porém reivindico desses novos moradores, invasores/assentados urbanos o direito de arejar minha alma, desestressar  meu cotidiano, lubrificar meus olhos com cenas puras e limpas, relaxar e me alegrar com suas presenças até que encontrem um outro espaço e promovam uma nova invasão/ocupação urbana.