sábado, 6 de outubro de 2012

Nasceu a primeira flor do pé de ipê

Nasceu! 
Pela primeira vez meu pé de ipê floresceu. 
Há um ano era só muda, frágil, sem defesa aparente, 
mas que resistiu a brincadeira de uma criança valente.

A criança, uma cadela guia,  
que ficava feliz com as traquinagens que fazia.
Peguei meu broto de ipê, presente da minha irmã, 
e sem saber se ia vingar, 
pedi um moço pra plantar. 

Isto já faz um ano. 
Todos os dias olhava para a plantinha na calçada. 
Será que é  rosa, branca, roxo? 
Eu torcia pelo amarelo. 
De repente - com a chegada da primavera - comecei a ver uns brotos, pensei: 
- Meu Deus será que vai florescer tão novinho assim? 

Observava, como se fosse eu quem gestasse aquela  vida!
Numa expectativa boa, 
de vida chegando para alegrar a paisagem, 
alegrar  nossas vidas. 

Eis que ontem de manhãzinha, 
no raiar do dia, 
quando saia de ré, no carro,
não a pé, 
dei uma olhadinha para os lados e lá estava ela radiante, 
com um amarelo gritando e irradiando LUZ. 

Por uns segundos fiquei extasiada e não contive o grito: 
- Uuuuuhhhhhhh, nasceu!!! 
Meu companheiro que estava perto, perguntou: 
- O que foi? 
Olhei para a flor do Ipê e disse: 
- Nasceu a primeira flor do nosso pé de Ipê. 
Nos olhamos sorrindo e saímos felizes para o trabalho. 
Era a Vida se renovando, deixando o nosso dia mais bonito, 
colorido 
leve.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O voto consciente



A caça aos eleitores começou. De fato, num processo democrático, o período eleitoral deve ser comemorado, afinal, o momento nos faz reafirmar e garantir nossas convicções nos princípios e valores constitucionais. É fundamental nunca esquecermos destas conquistas, para não corrermos o risco de compactuar com ideias equivocadas, que sem contextualizar na integralidade momentos políticos da nossa história, diante de episódios específicos da política atual, reportam-se com saudosismo a  períodos históricos,  ditatoriais que nos privavam de quase todos os direitos. Privaram até do direito à VIDA.

Contudo, à medida que nossa democracia avança, devemos amadurecer tanto nos conceitos, quanto nas práticas. As práticas do voto de cabresto, da troca do voto pela botina, devem ficar registradas nos livros de História. Também não devemos trocar nosso voto, por favores. Desta forma os candidatos e candidatas que lançam mão de suas experiências profissionais para legitimar suas candidaturas, precisam rever seus conceitos. São dezenas deles que usam e abusam das prerrogativas da profissão: é o Zé da Farmácia, o Zé da Ambulância, a Maria Enfermeira, o Zé do Carro de Som, a Maria Parteira etc, etc. Tem candidatos, que vão além. Usam da estrutura pública, porque já gozam de mandato parlamentar, e transformam carros em ambulâncias, passando a fomentar o assistencialismo ao invés de usar o seu mandato para exigir acesso à saúde para todos, como está previsto na Constituição.  É a nova roupagem, em tempos pós-modernos,  do voto de cabresto, porque as pessoas que dependem dos serviços públicos – e elas são a maioria – não tem como resolver os problemas de urgências – é claro que vão ficar eternamente gratas pelos “favores”, e,  a  forma de retribuição é votarem nos candidatos assistencialistas. É preciso que no processo educativo da democracia, estas práticas sejam de fato extirpadas do nosso meio.

Infelizmente perdemos muito tempo criticando o uso que se faz da política,  e não nos preparamos para mudarmos aquilo, que como eleitoras e eleitores, podemos mudar. A começar pela escolha das candidatas e dos candidatos. A ficha limpa é um importante critério, mas não é o único. Claro que tendo acesso às informações sobre os candidatos, já que estão disponíveis no portal do Tribunal Regional Eleitoral – TRE, é nossa obrigação enquanto cidadã e cidadão, conhecer  os que possivelmente irão nos representar. Mas não é o único critério. Nas eleições municipais, quando escolhemos nossos representantes para o Executivo e o Parlamento Municipal, é mais fácil conhecermos as pessoas candidatas, porque estão mais próximas de nós.

Coerência é a palavra e o princípio.  Temos ao nosso redor um número considerável de pessoas com as quais convivemos na nossa comunidade. Na associação de bairros, na  igreja, no trabalho, no partido político. Eis que algumas delas são candidatas. É aí que a palavra coerência ganha força e forma. Ao convivermos com uma pessoa é provável que temos oportunidade de conhecer através de suas ações seu caráter, sua honestidade, a  sua coerência entre o que fala e faz. Portanto, é o seu histórico que vai  sustentar o seu discurso enquanto candidata ou candidato. Sinceramente uma pessoa que em sua vida cotidiana,  não demonstrou trabalho efetivo e sim discurso; uma pessoa que não colocou a mão na “massa”, se posicionando em favor das causas sociais, ao contrário, usou de sua liderança comunitária ou  partidária para fortalecer o posicionamento político de quem  ocupava cargo de poder, não merece a confiança das eleitoras e dos eleitores. Não vale dizer que não tinha ferramentas para lutar contra a estrutura, contra os “grandes” . Para que nossa democracia avance devemos apostar em pessoas que de fato, sejam de luta. As pessoas que agem de forma incoerente dependendo do momento político,   pode até ser ficha limpa, mas não tem em seu currículo coerência entre aquilo que prega em seu discurso e aquilo que faz na sua vida e prática política. Quem votar neste tipo de candidato(a), poderá se decepcionar!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Coragem, Poder e Liberdade

            Tarefa difícil esta de ser mulher em uma sociedade como a nossa, fundamentada em valores machistas. Mesmo diante de todas as conquistas e avanços, vira e mexe têm pessoas querendo demonstrar força e desqualificar; falar mais alto e fazer prevalecer o que na visão deles é o politicamente correto.
            Às vésperas da data que simboliza a luta das mulheres, a chegada da ministra Eleonora Menicucci, na Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, reacendeu a ira oportunista dos conservadores que habitam o Congresso Nacional, trazendo a tona os princípios e convicções da ministra a respeito do aborto, como argumento para desqualificá-la para o cargo que acaba de assumir. Misturam alhos com bugalhos.         
           Curioso é que estes mesmos representantes, hora nenhuma colocam em discussão a realidade de pobreza, violência e desigualdade, que cerca a mulher brasileira. A eles não interessa discutir as altas taxas de mortalidade materna, a prostituição infantil, a gravidez precoce. Não interessa aos nossos excelentíssimos de-putados discutir políticas públicas e denunciar o tráfico de mulheres, as condições indignas das encarceradas. Monitorar e cobrar a instalação de juizados especiais, como prevê a Lei Maria da Penha. Isto, nem pensar! Quanto mais destinar verbas de emendas parlamentares para a criação de casas abrigos, centros de referência!
            Será que nossos ilustres de-putados têm ideia  que as mulheres hoje representam mais de 50% da população brasileira, e são a parte mais empobrecida? Que são as mais  penalizadas? Trabalham de forma indigna, sem creches públicas para que seus filhos recebam educação e cuidado; moram em condições subumanas, sem saneamento básico, sem acesso a políticas de saúde.  Certamente não sabem que o Brasil é um dos países que ocupa as últimas posições no ranking de participação das mulheres na política!
            Por outro lado, será que nossos digníssimos de-putados já analisaram  dados de órgãos como a ONU, o IBGE demonstrando que as mulheres representam  atualmente, mais de 40% da população economicamente ativa? É provável que nunca ouviram falar de um dado grave que aponta as desigualdades nas relações de trabalho. Elas recebem em torno de 30% a menos que os homens para exercerem a mesma função.    
        Provavelmente desconhecem a importância de instituições como a ONU (Organização das Nações Unidas), UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), CEDAW (Comitê para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher) e OIT(Organização Internacional do Trabalho), que em consonância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos são fundamentais na garantia de vida digna a todos os seres humanos. Em matéria que circulou nos principais jornais do país (15/02/2012), desqualificaram a presença da ministra Menicucci na ONU,  afirmando que a sua participação na Cedaw, seria para defender uma proposta de interesse pessoal  e não do Estado brasileiro.
            Nossos paladinos da moral e dos bons costumes, de acordo com suas convicções expressadas, mesmo diante das evidências aqui elencadas, devem pensar que a Secretaria de Políticas para Mulheres – SPM é desnecessária! Porque não conseguem dar significado a máxima “a pobreza tem cara, sexo e cor” e dessa forma não percebem a importância das políticas públicas – reivindicações antigas -  que prevêem, como bem afirmou a presidenta Dilma Rousseff em sua posse, a erradicação da pobreza.
            Nossos nobres representantes teimam em não seguir os princípios constitucionais, tanto em relação a igualdade entre mulheres e homens, quanto sobre  a laicidade do Estado. O tempo em que o direito das mulheres passavam pela vontade de mando e desmando dos homens ficou no passado. Faz-se necessário, no entanto, perseverar na luta. O Fórum Goiano de Mulheres acreditando nesta premissa prepara uma grande programação, que terá como ponto máximo a marcha das mulheres, que acontecerá no dia 08 de março, com o lema: Coragem, Poder e Liberdade, mulheres na luta por igualdade, autonomia e transformação social. A hora é agora!

sábado, 10 de dezembro de 2011




Nossas lutas, nossas angústias!
Por qual causa lutar?
Por quê lutar?

sábado, 5 de março de 2011

Direito do Voto Feminino completa 79 anos

Direito de Voto Feminino completo 79 anos no Brasil




Setenta e nove anos se passaram desde que as mulheres conquistaram o direito ao voto. A lei instituída no Código Provisório Eleitoral de 1932, veio com restrições: apenas as mulheres casadas, com autorização de seus maridos, as viúvas e as solteiras com renda própria podiam votar. Em 1934 as restrições foram retiradas do Código Eleitoral, mas o voto continuava sendo obrigatório apenas para os homens. Somente em 1946 a obrigatoriedade do voto foi estendida às mulheres.



A comemoração desta data, nos dias de hoje, ganhou um significado único. A primeira mulher eleita ao cargo de Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, precisou quebrar vários paradigmas e preconceitos. O primeiro deles, o simples fato de ser mulher e ter sua vida pública e privada desqualificada numa campanha eleitoral de baixo nível; durante a campanha foram muitas as difamações, sobre diversos assuntos. Perderíamos um bom tempo falando sobre cada um deles. Certamente o último preconceito quebrado pela presidenta Dilma, foi o que dizia que mulher não vota em mulher. Na última eleição, as mulheres provaram o contrário. A eleição de Dilma foi a prova que as mulheres não só votaram em uma mulher, como decidiram a eleição presidencial.



O fato é que, a eleição da presidenta Dilma Rousseff representou um grande avanço na luta das mulheres pelo direito de participar ativamente da vida e das decisões políticas do país, porém, a representação de mulheres nas instâncias de poder ainda é muito desigual. Estamos longe de um equilíbrio nas esferas políticas, quando o assunto é a participação da mulher na política brasileira. Junto com a conquista do voto feminino, podemos ressaltar que a lei de cotas, garantindo a participação mínima de 30% de mulheres nas listas de candidatos dos partidos políticos foram dois mecanismos que deram consistência e visibilidade a luta quase centenária das mulheres, mas não resultou em uma maior participação. Basta analisar o número de parlamentares mulheres no âmbito municipal, estadual e federal. O mesmo se repete nas esferas do Poder Executivo.



Análises deterministas e conservadoras apontam para a falta de vocação das mulheres nas questões políticas, mas desconhecem as armadilhas que impedem às militantes políticas de terem uma participação efetiva, sem contudo, terem de abrir mão de suas vidas pessoais e profissionais. Enquanto os homens são motivados e recebem apoio para lançarem-se à vida pública, a grande maioria das mulheres que são lideranças comunitárias e sindicais, travam uma luta diária para se manterem na militância. Chegam a cometer pecado mortal, aquelas que persistem e conquistam mais espaços. São exigidas e culpabilizadas por estarem ausentes na educação de seus filhos, por terem que se ausentar dos encontros familiares e até mesmo do seu trabalho, quando a militância política exige a sua presença.

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Há 79 anos, em uma sociedade extremamente conservadora e machista, algumas mulheres ousaram lutar pelo direito ao voto e saíram vitoriosas. É preciso que façamos memória e reiteremos nossas convicções em uma sociedade de cidadãs e cidadãos, com direitos e deveres iguais. É fundamental voltar nossos olhares para trás, para compreendermos a nossa história através das histórias de mulheres como, Julia Barbosa, Bertha Lutz, Leolinda Daltro, Celina Vianna, Nathércia da Cunha Silveira, Antonietta de Barros, Almerinda Gama, Jerônima Mesquita, Maria Luisa Bittencourt, Alzira Teixeira Soriano, Carlota Pereira de Queiroz, Josefina Álvares de Azevedo, Carmen Portinho, Elvira Komel, Amélia Bevilacqua e Isabel de Sousa Matos. Nossa saudação a todas elas!

sábado, 4 de dezembro de 2010

É preciso dar significado a história dos povos afrodescendentes


Geralda Ferraz

A linha do tempo de nossas vidas nem sempre  parece ter significado,  principalmente quando somos bem jovens. É preciso que este tempo, aliado as nossas experiências diárias nos despertem para o aprendizado nas situações vivenciadas.

Há alguns anos conheci D. Maria José. Mulher negra, de origem humilde, e de muita luta. À época, estava acompanhando um grupo de alunos, na comunidade N.Sª do Rosário, que fica na Vila João Vaz. Tínhamos o propósito de assistir a apresentação dos ternos de Congada. Na entrada da igreja surgiu D. Maria José. Na sua altivez, simbolizava toda autoridade de uma líder comunitária, com um turbante de cores afro na cabeça, uma túnica longa, trazendo a bíblia nas mãos e dançado ao som dos ritmos africanos. Sincretismo religioso, ecumenismo. Possivelmente é o que geralmente as pessoas identificam em eventos como aquele. Para mim, aquela figura transbordava amor e lealdade às suas raízes, perseverança, resistência e sabedoria.

Pouco tempo depois, em uma outra atividade dos movimentos sociais, escutei-a em um programa de rádio falando sobre a urgência de políticas públicas para a população negra goiana. Havia pessoas morrendo em conseqüência da anemia falciforme e pouco ou quase nada estava sendo feito. Ela acabara de perder um sobrinho, que perambulara entre um posto de saúde e outro, sem que tivessem diagnosticado a doença a tempo de receber um tratamento digno, que evitasse a morte. Existia, por parte da Saúde Pública, um desconhecimento de como identificar e tratar este mal que atingia e atinge a população afrodescendente.

D. Maria José ainda me proporcionou muitos momentos, em que sua presença traduzia-se em ensinamentos para o nosso cotidiano. Um em  especial, foi quando ela participou de um debate. Era admirável pela sua lucidez e discernimento. Chamou a atenção para uma situação que estava presente na sua rotina diária e que passava ao largo das prioridades governamentais. Ao entrar em uma loja, em Campinas, percebeu que estava sendo preterida pela vendedora e denunciou. Disse em alto e bom som, “fui discriminada porque sou mulher, preta, pobre e idosa, já pensou minha filha?”

Poucos momentos são tão emocionantes na minha memória, como a homenagem prestada a D. Maria José, pela sua família e a comunidade N. Sª do Rosário, durante a missa de 7º dia. Ela faleceu no início de 2009, vítima de um acidente de trânsito, pouco depois de deixar sua neta no hospital para dar à luz. Na igreja o clima era de festa. As oferendas lembravam os rituais africanos. Muita comida, pipoca, frutas que após a celebração foram distribuídas às pessoas presentes. A procissão do ofertório feita pelos seus netos, era um misto de dor, expressada nas lágrimas que rolavam silenciosamente nos rostos de cada um, e de reafirmação de suas raízes culturais, com  vestimentas, adereços, ritos e cantos que lembravam o povo afro. Momento de beleza e de profundo significado para todas as pessoas que pensam uma sociedade de iguais.

Fazer a memória de D. Maria José, líder comunitária de muitas lutas, seja no Alto da Poeira, na Vila João Vaz, na resistência cultural com os ternos de Congada, seja na Igreja, como integrante da Pastoral do Negro(a), é dar significado a história do povo negro, que sofre e luta dia-a-dia para terem reconhecidos o direito a uma vida digna. É resgatar uma história de resistência, mas também de exclusão e marginalização.

Por que ainda existe resistência em reconhecer o valor, a contribuição do povo negro na história brasileira? Por que teimam em ignorar que a Liberdade para os negros não veio acompanhada de condições  dignas de vida? Quando reconhecerão que as políticas públicas e afirmativas são fundamentais? Quanto tempo ainda será necessário para se reparar todas as desigualdades em relação ao povo negro?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A participação das mulheres na política

A participação das mulheres na política





Com a recente eleição presidencial e a vitória da primeira mulher para ocupar o cargo mais alto do executivo nacional, o artigo escrito abaixo e publicado no período da campanha torna-se atual e nos convida a uma reflexão mais profunda sobre a participação das mulheres na política...

Ao vermos duas candidatas mulheres concorrendo a presidência da República, a impressão que se tem é que o Brasil está à frente de muitos países quando o assunto é a participação das mulheres na política. A realidade não é o que parece ser!

O século XX representou para as mulheres um divisor de águas em relação às conquistas pelos seus direitos. Porém, mesmo com todos os avanços, existem áreas em que as desigualdades persistem, prevalecendo o olhar, o fazer masculino, sem contemplar as diferenças e diversidades. A política é uma delas. Muitos países avançaram e na ocupação dos espaços de poder prevalece o equilíbrio. Não é o caso do Brasil.

A conquista do voto nos anos 30, início do século XX, não representou o ‘empoderamento’ da mulher na vida política brasileira. Na visão predominante dos representantes políticos, a presença da mulher deveria ficar restrita ao voto. A militância política, também ficava restrita a tarefas consideradas menores - uma extensão dos afazeres domésticos. Ainda hoje nos partidos políticos, a participação das mulheres no trabalho burocrático ou de militância de base é considerável, mas, à medida que as decisões políticas se afunilam, a presença feminina é quase nula.

Para que as mulheres tivessem uma participação efetiva no processo eleitoral, foi necessário que elas fossem à luta e conquistassem o direito a participação, garantindo o preenchimento de um percentual de candidatas nos partidos políticos. Porém, não foi suficiente para garantir a presença das mulheres nos espaços de poder.

Mulheres militantes de partidos políticos dão conta que o relacionamento interno seja em partido de esquerda, centro ou de direita é extremamente difícil. As mulheres continuam sendo vistas como apêndices e invisibilizadas. Muitas inclusive, desistem, não suportam a pressão psicológica, o sentimento de culpa, já que para exercer o direito de participar da vida política, têm que abrir mão da sua vida pessoal, e do que na sociedade patriarcal, instituiu-se como tarefa da mulher, o cuidado com a família.

Todo este conjunto de fatores favoráveis a não participação das mulheres na política, fazem do Brasil, um dos países com menor participação política de mulheres no parlamento. De acordo com o ranking da União Interparlamentar (IPU, sigla em Inglês), que mede a participação das mulheres no parlamento, entre os 180 países que compõe a lista, o Brasil ocupa o 148º lugar. Em relação aos países da América do Sul, o Brasil é o país com a menor participação.

É certo que precisamos nos aprofundar na reflexão sobre os fatores que contribuem para que as mulheres não avancem na participação política. Além dos já citados, é preciso que o Estado invista em políticas públicas de infra-estrutura que beneficiem as mulheres e que elas possam dividir a tarefa de cuidar dos seus. Tarefas que acabam sobrecarregando e limitando o tempo que as mulheres poderiam dedicar à prática política. Também é preciso repensar o processo eleitoral brasileiro baseado no poder econômico, na privatização das campanhas eleitorais, nas práticas de influências que só aumentam o fosso da desigualdade entre os candidatos e as candidatas.



Geralda da Cunha Teixeira Ferraz

Escrivã de Polícia – Assessora de Imprensa

Presidenta da Associação Mulheres na Comunicação